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LOLA A SANTA DE RIO POMBA

Dona Lola

Remanescente dos 11 filhos do casal, Sr. Joaquim Dornellas da Costa e Sr.ª Deolinda Maria de Jesus, Lola nasceu no município de Mercês aos 09 de junho de 1913 e era também a única tia e prima sobrevivente da primeira geração. Uma de suas irmãs, Cesarina, pertencia às Missionárias do S. Coração de Jesus da Congregação Cabriniana, recebendo o nome de Soror, Lúcia Nazarena de Jesus. Eram ainda seus irmãos: Alcides, José, Antônio, Nominato, Dolores, Dorvina, Djanira, América e Eurico.

Em virtude da queda de uma jabuticabeira em março de 1934, com a idade aproximada de 23 anos, que a deixou imobilizada dos membros inferiores, apesar de muitos tratamentos para sua recuperação, convivia há 65 anos com dores atrozes superando os sofrimentos físicos com a sustentação e propagação de sua fé no amantíssimo Sagrado Coração de Jesus, envolvida nesse profundo sentimento e devoção que lhe fortaleza e vida.

Transcendendo a própria ciência médica pela não ingestão de alimentos, Floripes Maria de Jesus (conhecida como Floripes Dornellas de Jesus, assinando também Floripes Dornellas da Costa ), paralisada na cama desde 1936, passou a partir do ano de 1943, recusar toda espécie de comida e bebida, não como penitência, e sim pela razão da rejeição de seu organismo, vivendo em jejum quase completo, apesar da resistência da família. Sua última dieta teria sido um caldo de cidra ralada.

Os mais antigos afirmam que por alguns anos teria retirado o colchão de sua cama, deitando-se sobre o estrado forrado apenas com o lençol, em sinal de mortificação, tendo a hóstia sagrada como seu único alimento há 65 anos.

O mistério que envolvia a vida de Lola - hoje explicado pela medicina como fenômeno raríssimo provocado por anorexia (rejeição de alimentos e líquidos) e que na normalidade leva a pessoa à morte, provocou muita curiosidade e romaria diária ao seu sítio Lindo Vale, 2,3 km da cidade de Rio Pomba, notadamente em fins de semana. A notícia se espalhou e milhares de pessoas de todos os recantos do país passavam por semana em sua propriedade, sendo atendidas por ela com atenção, sem visar mínimo interesse, sacrificando-se pelos devotos para que encontrassem lenitivos em suas orações.

Lola transmitia conforto, fortaleza e serenidade, deixando gravado nos corações dos fiéis o traço vivo de fé inabalável ao Sagrado Coração de Jesus através da oferta de santinhos, terços e novenas. O povo tinha o consolo de trazer da casa de Lola uma lembrança, seja ela um galhinho da jabuticabeira, uma flor ou folha de árvores de seu terreiro ou da beira da estrada. Sofrendo verdadeira tosa dos visitantes, o pé de jabuticabeira foi totalmente destruído, considerado pelos devotos como milagroso.

Nos idos de 1951, precisamente no dia 1º de julho a romaria foi oficializada pelo então vigário da Paróquia de São Manoel, o venerando padre Gladstone Batista Galo, que enfrentava caminhos enlameados, ora frio, ora o calor e a poeira para chegar ao sítio numa distância de 10 quilômetros de ida e volta de charrete e mesmo a pé. Deixava de gozar férias por lhe faltar substitutos, só para não deixá-la sem assistência espiritual e sem a comunhão. Os livros com os registros de presenças durante um mês no sítio, totalizaram o número de 32.980 pessoas, sendo no último dia do mês, em 30/07/1951, comprovado o número de 3.780 fiéis.

A partir de 20/07/1958, Lola afastou-se completamente do convívio com pessoas estranhas, pondo fim à romaria, não somente pelo episódio de uma reportagem sensacionalista da revista Manchete, no final de 1957, que a deixou muito amargurada, bem como em razão de sua saúde já agravada e pela sua estrutura física que não permitia receber o grande fluxo de devotos, a conselho médico e por interferência do então bispo, Dom Helvécio.

Optando por uma vida de isolamento há 42 anos, sustentada pela força irremovível e poderosa da sagrada Eucaristia, Lola cercou-se somente de pessoas indispensáveis aos seus cuidados pessoais, de seus pertences e ainda sacerdotes e ministros para receber seu conforto espiritual diário. Em seu quarto conservava-se o altar do S. Coração de Jesus, com a exposição do SS Sacramento, direito exclusivamente reservado a ela, autorizado pelo então arcebispo de Mariana, D. Oscar, pela sua vida de acolhimento e oração. O Santo ofício da missa era ali celebrado por sacerdotes pelos menos uma vez por semana e ela sempre recebeu a Sagrada Comunhão das mãos dos ministros da Eucaristia: o saudoso Miguel Geraldo Vieira e sua esposa, Maria Aparecida (Cizinha) Chaves Vieira e Sr. Severino Almeida Vieira.

 

Embora recolhida em seu sítio sem nenhum contato com a vida externa, Lola entregou-se fielmente ao seu mister missionário, propagando o culto ao S. Coração de Jesus com novenário, através do livro "A Grande Promessa do Sacratíssimo Coração de Jesus" e do livro de orações "Amor, Paz e Alegria", de Pe. André Prevot (primeiro mestre de noviços da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus), o qual era ultimamente ofertado àqueles que lhe intercediam orações, tendo algumas pessoas sido privilegiadas com a belíssima imagem de seu devoto.

 

Em Rio Pomba , não há uma só família que não tenha alcançado alguma graça por intercessão das orações de Lola ao S. Coração de Jesus, que também expandiu sua vocação missionária, fundando na cidade o Apostolado da Oração, deixando centenas e centenas de adeptos. Devota a Maria, pertencia à Irmandade das Filhas de Maria.

 

Na escritura Declaratória que fez em cartório, datada em 06 de abril de 1998 com dados sobre sua pessoa, ela especificou que "queria continuar até o fim da sua vida terrena mantendo silêncio, sem divulgação de sua vida, sob qualquer forma, especialmente pela impressa falada ou escrita, como direito assegurado a todo ser humano, tanto pela lei de Deus como pela lei dos homens." E ainda: "que era feliz, vivia da forma que queria, e que tinha direito, orando por todos, recebendo todo tipo de assistência material e espiritual por um grupo de pessoas que lhe dedicava todo carinho e afeto, de forma gratuita, uma vez que seus pais e irmãos já haviam falecido." Acrescentando que: "queria viver em paz, carregando sua cruz, fazendo-o com muita alegria e fé no Sagrado Coração de Jesus."

 

Além da assistência espiritual recebida de todos os vigários que passaram pela cidade e pelos atuais párocos, Pe. Mário Marcelo da Costa e Pe. Evaldo Bosco Zinato, Lola teve como diretor espiritual durante os últimos 13 anos, o Reverendíssimo. Pe. Paulo Dionê Quintão, Vigário Episcopal da Arquidiocese de Mariana, radicado em Barbacena, que a assistia uma vez por semana com a celebração eucarística. O médico Dr. Cláudio José Coelho Bomtempo, também daquela cidade, deu-lhe assistência permanente durante aos últimos 4 anos.

 

Sempre queixando-se de dores nas articulações, Lola estava há 4 meses com sua saúde abalada, apresentando insuficiência respiratória e enfraquecimento, vindo a falecer às 0:40 da madrugada, ao lado da freira de Barbacena, Irmã Terezinha Miranda, que também lhe prestava todo seu carinho e assistência diária, em conseqüência de um choque cardiogênico, insuficiência cardíaca congestiva e sobrecarga ventricular, conforme declaração de óbito, também com o registro de patologias: paraplegia (pós queda), osteoartrose acentuada e estenose aórtica.

 

Ë interessante relatar que 2 h e 40 min. antes de sua morte, Lola teve à beira de sua cama, as presenças amigas do Dr. Cláudio Bomtempo e do revdo. Pe. Paulo Dionê, o qual celebrou a Santa Missa concedendo-lhe o conforto espiritual da Eucaristia.

 

Dona Lola faleceu aos 9 de abril de 1999, quando milhares de pessoas acorreram ao velório e sepultamento. Seu tumulo é muitíssimo visitado no cemitério de Rio Pomba

 

Fonte: www.rdfnet.com.br/lola/

 

 

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