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Santo do dia: São Paulo Miki e companheiros Mártires

COMO FOI FUNDADA A PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

A Paróquia Sagrado Coração de Jesus foi fundada dia 10 de setembro de 1955.

Em 1948 Sr. Adelino Ribeiro e sua Esposa Sra. Rosalina Ribeiro doaram o terreno para que fosse construída uma Igreja. O terreno, onde localizava uma horta era muito acidentado.

No ano de 1947 foi fundada a Congregação Mariana, por alguns congregados Marianos, moradores de vila São José, hoje Bairro São José, que já pertenciam a Congregação Mariana da matriz Sagrada Família de São Caetano do Sul.

Certa noite, voltando de uma das reuniões semanais da Congregação Mariana da Matriz Sagrada família, os Congregados Marianos pararam em frente à farmácia de Vila São José. Em conversa resolveram que deveriam ir até o vigário da Matriz Sagrada Família, Padre Ézio Gisliberti e ao Padre Aldo, que era presidente da Congregação Mariana, pedir autorização para que se formasse um setor de congregados Marianos na Vila São José. Com o consentimento das duas autoridades e com a boa vontade desses jovens, foi formada a primeira diretoria:

Presidente: Sr. Orlando Merlino;
Vice-Presidente: Sr. Luis Dias da Silva;
Secretário: Sr. Orlando Acorinte;
Tesoureiro: Roque Rizo;
Conselheiros: José Bonifácio, José Bonifácio Filho, Almerindo Carlos.

Nesta época a Vila São José estava se formando e todos se conheciam, não foi difícil convidar os jovens a integrarem-se como noviços de Congregados Marianos, que se reuniam na casa do Sr. Orlando Merlino.

Pouco tempo depois a diretoria da Congregação Mariana de Vila São José, junto com Padre Ézio e o Padre Aldo, foram convidados pelo Sr. Adelino Ribeiro e sua Esposa Sra. Rosalina Ribeiro para uma reunião em sua residência. Para surpresa de todos, essa família presenteou os moradores de Vila São José com um terreno na antiga Rua Adelino (hoje Rua Padre Mororó), para a construção de uma capela que seria consagrada à Nossa Senhora das Graças. Com esta doação, os jovens e os moradores da Vila São José, se mobilizaram para construir a Capela o mais rápido possível. Para isso nessa primeira etapa, eles elaboraram uma agenda com os compromissos a serem compridos. Toda segundas feiras faziam reunião da Congregação Mariana na casa do Sr. José Ribeiro, quarta e sexta feira procissão como o andor de Nossa Senhora das Graças, para visitar as famílias onde, a imagem permanecia naquela casa até sexta feira. Neste dia a imagem era novamente levada em procissão na casa de outra família, e permanecia na nesta casa ate a próxima quarta feira. Assim acontecia sucessivamente.

Aos domingos às seis horas da manhã iam participar da missa na Igreja da Matriz Sagrada Família. Para isso os Congregados Marianos passavam uns na casa dos outros, se reuniam na esquina da Rua Adelino (atual Padre Mororó), e se deslocavam caminhando até a Igreja da Matriz Sagrada Família. Na volta, tomavam o café da manhã, e após o café se dirigiam para o terreno. Os congregados marianos juntavam-se com os moradores para trabalhar, e essa atividade mais parecia uma festa, todos eram unidos e tinham o mesmo objetivo: construir a capela para o bem de toda a comunidade.

O Sr. Alfeu Acheti, congregado mariano que trabalhava de motorista de caminhão na empresa Dalmas, requisitava o caminhão emprestado e com alguns congregados, saiam para pedir areia e tijolos nas olarias da redondeza. Enquanto isso os outros dividiam as tarefas no terreno, alguns abriam brocas e os alicerces, visto que o terreno é bem acidentado enquanto os outros trabalhavam de servente de pedreiro. Mas a ansiedade de ver a Capela construída era tanta, que alguns de nossos congregados tornaram-se artistas, ensaiados pelo presidente Sr. Orlando Merlino, faziam apresentações teatrais em cima de caminhões enfrente ao terreno da capela. Os nossos convidados eram todos os moradores do bairro. A entrada era franca, mas era colocada uma caixa no portão para arrecadarmos fundos, mas ao final da apresentação, quando a caixa era aberta, sempre estava vazia. Mesmo assim, ficávamos felizes por ver nossas famílias e amigos junto conosco, mesmo porque, eram eles que nos ajudavam com doações, quando recebiam a visita da imagem de Nossa Senhora em suas casas.

Quando as paredes do alicerce da construção da Capela estavam prontas para receber o aterro, o Sr. Justo Martins, amigo e colaborador da obra que trabalhava na Cerâmica São Caetano, conseguiu junto a empresa um caminhão basculante e as terras para o terreno ser nivelado. Depois de nivelado o terreno, foi levantado o Cruzeiro onde era celebrada missa campal uma vez por mês para a comunidade, o celebrante era o Padre Ezio . No centro dessa terraplanagem, a capela de Nossa Senhora das Graças foi construída abrindo espaço, não só para a Congregação Mariana, mas também para outros movimentos como a liga Católica, representada pelo Sr. João Paulo Ribeiro e as filhas de Maria representada na época pela Srta. Vanda Almendra.

Passados alguns meses, em uma das reuniões da Congregação Mariana, recebemos a visita do Padre Ézio e o Padre Aldo com a finalidade de nos comunicar, que São Caetano não havia nenhuma igreja com titulo Sagrado Coração de Jesus. Então o Bispo da Diocese de Santo André Dom Jorge Marques de Oliveira, sugeriu para que mudássemos o nome da Capela Nossa Senhora das Graças para Sagrado Coração de Jesus. Na ocasião o bispo disse: "Nossa Senhora ficará muito contente, juntamente com os católicos da Vila São José, presenteando e consagrando a Capela a seu Filho amado Jesus". Então a capela passou a ser Capela Sagrado Coração de Jesus.

Com a Capela construída e o alicerce pronto para a construção da igreja atual foi encerrada a primeira etapa.

Na segunda etapa fomos agraciados por Deus, a Diocese designou um Padre para estar à disposição da comunidade em tempo integral. Foi assim que o Padre Carlos Fabrini chegou até a nossa Vila São José. A partir daí com a união de todos, a Igreja foi construída utilizando as colunas e as cintas de concreto que haviam sido preparadas.

Gostaríamos de destacar nomes de famílias que colaboraram nessa grande obra, mas como são muitas, seria desagradável e injusto se esquecêssemos de algumas delas, por isso, deixamos nossos agradecimentos a todos os moradores da época.

Para finalizar está história vou testemunhar um caso interessante que até hoje me faz refletir: Quando fizemos as colunas e as cintas de concreto onde foram levantadas as paredes da atual igreja, tinha no aeromodelismo (atual parque Parque Chico Mendes), uma firma que estava sendo desativada com o nome de Cerâmica Tupã. Por intermédio de um dos congregados Marianos, e funcionário de prestigio nessa empresa, Sr. José Ribeiro conseguiu a doação de todo o madeiramento e telhas para a construção da igreja. Para quem entende de construção, as tesouras do telhado vieram montadas e foram colocadas em cima das paredes da Igreja sem que houvesse necessidade de qualquer ajuste, ou seja, pareciam que foram feitas sobre medida. Daí eu posso concluir que na verdade não houve coincidência, mas Providência Divina. (História contada por Sr. Romeu Merlino)

Foto dos Congregados Marianos tirada em 1952

Foto dos Congregados Marianos tirada em 1952. Esquerda para direita 1º sentados: Desconhecido, José Bonifácio (Falecido), desconhecido, Pe. Marinho, os dois últimos não identificado. 2º Fila em pé: Orlando Acorinte, não identificado, Luiz Dias (Falecido) não identificado. 3º Fila em pé: Gabriel Osti (Falecido), Romeu Merlino, José Ribeiro (Falecido), Roque Rizzo, Nelson Melini

A Congregação Mariana era denominada Mariana, não só porque assumiam o título em favor de Maria, mas, porque seus membros professavam uma singular devoção para com a Mãe de Deus, eles se comprometiam com todo o esforço, honrar a sua bandeira com devoção a Santíssima Virgem Maria, lutando pela perfeição cristã e salvação eterna própria e dos outros de toda comunidade. Por essa razão, o congregado fica sempre obrigado para com a Santíssima Virgem, a evangelizar, levar as pessoas sempre estar ao lado de Jesus.

Em Nossa Paróquia através do amor com a mãe de Jesus, foram levados a se preocupar em erguer uma capela, como foi contado na história inicial onde surgiu essa imensa Paróquia em que todos os moradores da época, juntamente com a Liga Católica Jesus Maria José foram acolhidos e graças a seus esforços, Deus com seu amor todo especial nos presenteou através de Dom Jorge Marcos de Oliveira a Paróquia S. C. de Jesus.

Está registrado no livro de Ata da Paróquia nas paginas 1 (um) e 2 (dois), que no dia 28 de setembro de 1949 houve uma reunião, e ficou decidido que a comissão Pro-Reforma trabalharia para construir um igreja definitiva e não uma nova capela. A área doada era insuficiente para essa finalidade, resolveu-se também comprar área continua do lote doado, que pertencia aos doadores do terreno. A compra da outra área foi proposta pelos próprios doadores. Nesta reunião do dia 28 de setembro de 1949 formou-se a primeira comissão Pró-Construção da igreja, com membros da Congregação Mariana para por em andamento as obras na área formada pela doação e compra.

Comissão:
Presidente: Orlando Merlino
Vice Presidente: José de Franças Dias
1º Secretário: Luis Dias da Silva
2º Secretário: Orlando Acorinte
1º Tesoureiro: Justo Martins
2º Tesoureiro: Roque Rizzo


Conselheiros: José Martins, José Ferreira Pires, Adelino Ribeiro, Alberto Borcatto, Paulo Borcatto, José Bonifácio, Benedito José Bonifácio.
Passaram a fazer parte da comissão João Zanirato em outubro de 1949 e José Cavalheiro em novembro 1949.

A partir desta data foram promovidas varias festas, quermesse e outros eventos para angariar fundos para a Pro-reforma da capela Nossa Senhora das graças.

Também existe registrado no livro de Ata nas paginas 6 (seis) e 7 (sete) do dia primeiro de maio de 1952, a ata da reunião da comissão lutas da comunidade e sacrifícios, para colocação de vidros e dos ladrilhos para o piso da igreja, consta que em junho a Congregação Mariana e a Liga Católica se uniram para eleger nova diretoria com José Ribeiro, filho do casal doador do terreno como mostra a foto abaixo:

Comissão

Comissão:
Presidente: João Paulo Ribeiro,
Vice Presidente: Orlando Acorinte,
1º Secretário: Luis Dias da Silva,
2º Secretário: João Batista da Cruz,
1º Tesoureiro: Roque Rizzo,
2º Tesoureiro: Manoel Maria dos Louros,
Zelador: Benedito Maria.


Conselheiros: Orlando Merlino, José Ribeiro, Carlindo José da Silva, Augusto Bisco, Irineu da Silva, José Bernardo Filho, Antonio David, Gabriel Osti, Antenor Carlos, Romeu Merlino e Nelson Merlino (Foto tirada em 1952. ).

Em 1953 Vieram para São Caetano 22 missionários Redentoristas e três ficaram na vila São José com a Igreja já levantada. Os missionários eram: Pe. Ernesto, Pe. João Batista e Pe. Pedro, eles ficaram 15 dias na vila dando assistência na formação religiosa de nosso bairro. Nesta época as pessoas que não eram casadas na Igreja, realizaram o sacramento do matrimônio. Através deles, a consagração de marido e mulher (esposa e esposa) unidos na presença de Deus, outras pessoas jovens e adultos aproveitaram para fazerem a primeira Comunhão (Eucaristia). Eeles faziam palestras, visitavam famílias evangelizado-as e incentivando-as a participarem das missas e fazerem a orações necessárias.

Os missionários plantaram na Vila (Bairro) São José a semente do Amor de Deus através de seu filho Jesus Cristo e de Maria Santíssima. Eles deixaram no coração dos moradores o carinho a bondade. Quando terminaram a missão, tiveram que ir embora e no dia da despedida foram motivos de muita emoção, muitos choraram, eles contribuíram para o crescimento espiritual de nosso povo, que através das irmandades deram seqüência em seus trabalhos apostólicos que até nos dia de hoje nos gozamos dentro da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, que cresceu atingindo outro bairros.

Pe. Ernesto, Pe. João Batista e Pe. Pedro

Foto dos missionários:
Esquerda para direita, Pe. Ernesto, Pe. João Batista e Pe. Pedro.

No dia 29 de janeiro de 1954 em reunião, foi pedido para comprar o forro da Capela, e nos mêses de março a maio do mesmo ano, preparavam a sala no fundo da capela e faziam campanha para arrecadar fundos para compra do sino e a definição do forro e tipo de ladrilho para o piso. Todos os vidros da capela foram doados pela família de José Ribeiro.

O liguista João Paulo Ribeiro conta que em 1954, no mês de junho chegou o sino que foi doado pelo Padre Mario Calazans. O sino foi comprado na Metalúrgica São Francisco com o cheque que o Padre Calazans entregou na mão do Sr. João Paulo Ribeiro. Em agradecimento o convidou para missa da inauguração, mas infelizmente o Padre não pode comparecer. (Pe. Ezio celebrou a missa de inauguração).

No dia 30 de julho de 1954 foi realizada a reunião da comissão Pró-Construção e teve a participação do padre José Caruso e os novos membros: Roque Almendra, João Almendra Osvaldo Almendra e Dorival Marson. Neste ano a Capela Nossa Senhora das Graças ficou vinculada á jurisdição da Matriz Nossa Senhora da Candelária onde o Pároco era o "Padre José Caruso". (A candelária tornou-se Paróquia um ano antes do Sagrado Coração de Jesus). No dia 6 de outubro ficou decidido após ter aprovado a proposta de que os lideres fariam contado com bispo, Dom Jorge Marcos de Oliveira, para tratar da escritura pública da igreja e para que a cúria diocesana recém instalada providenciasse um padre exclusivo para a capela.

Em 25 de fevereiro de 1955 está registrado no livro de Ata que Padre Ézio Gisliberti e Padre Aldo comunicaram aos paroquianos que Dom Jorge Marcos de Oliveira pediu para que trocasse o nome da Capela Nossa Senhora das Graças para Sagrado Coração de Jesus (fato já citado no depoimento de Romeu Merlino no texto da fundação da Paróquia). Também está registrado que nesta mesma reunião, a Sra. Rosalina Nascimento Ribeiro comprometeu-se a doar à capela a Coroa do Sagrado Coração de Jesus.

Por decreto diocesano do bispo Dom Jorge Marcos de Oliveira, no dia 10 de setembro de 1955, Paróquia, foi reconhecida oficialmente como PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, com domicilio estabelecido na vila São José (hoje Bairro São José) na Rua Padre Mororó, 425 em São Caetano do sul.

No mesmo decreto está a nomeação do padre Carlos Fabrini como sacerdote da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, conforme a cópia do documento oficial assinada por Dom Jorge Marcos de Oliveira.

Padre Carlos Fabrini

Foto de Padre Carlos Fabrini

Padre Carlos Fabrini foi nomeado provisoriamente como Vigário Ecônomo no ano de 1954 e sendo nomeado Pároco no dia 10 de setembro de 1955 até 31 de dezembro de 1955 até que conseguisse o documento oficial eclesiástico que autorizasse ser pároco definitivo da Paróquia Sagrado Coração de Jesus.

Os documentos foram providenciados e Padre Carlos Fabrini permaneceu como Pároco de 1955 até dia primeiro de janeiro de 1977. (Pe. Carlos faleceu em 31 de janeiro de 2004 aos 87 anos). Na figura abaixo está a cópia do decreto assinado por Dom Jorge Marcos de Oliveira e Monsenhor de Abreu Chanceler.

Documento

Documento se encontra nos arquivo da Paróquia.

A ultima reunião da Comissão da construção está registrada no livro de Ata em 27 de maio de 1955, onde registra a compra da Coroa do Sagrado Coração de Jesus, para festa solene da Coroação da imagem marcada para 17 de julho de 1955.

Cópia do convite da inauguração da Paróquia e da posse do Pe. Carlos Fabrini

Cópia do convite da inauguração da Paróquia e da posse do Pe. Carlos Fabrini

Os dizeres do convite:
Ilmo. Sr. Exma. Família,
Comprimos o dever de comunicar a V.sa. que o nosso Sr. Bispo Diocesano Dom Jorge Marcos de Oliveira dignou-se elevar a nossa Vila São José a Paróquia, nomeando como primeiro Vigário da Paróquia Sagrado Coração de Jesus o Revemo. Pe. Carlos Fabrini e fixando o dia da Posse aos 10 de setembro as 20 horas.


Convidamos V.S. para assistir a recepção de S.Exa. o Sr. Bispo, presenciar a posse do primeiro Vigários a ser co-fundador da Paróquia Sagrado Coração de Jesus.


Desde já agradecemos de V.S. e Exma. Família neste ato de religiosidade, civismo e justa manifestação de regozijo.


No dia 10/09/1955 inauguração da paróquia e da posse de Padre Carlos Fabrini a festa foi animada pela Banda Sta. Cecília de São Caetano do Sul. Um dos integrantes da Banda era Manoel Maria esposo de Anacleta Augusta Maria componente do Apostolado da oração e também era irmão de Benedito Maria liguista da época, que foi sacristão por vários anos. Os três já falecidos.

Neste dia foi entregue de lembrança santinho que no verso dele estava registrada a posse de padre Carlos como primeiro Vigários da Paróquia Sagrado Coração de Jesus que nascia neste dia com as bençãos e as graça de Deus.

Santinho

A festa iniciou às 19 horas com conserto musical apresentado pela banda Santa Cecília e a chegado do bispo Dom Jorge Marcos de Oliveira. Às 20 horas foi à cerimônia de Posse Benção solene com o Santíssimo Sacramento e também houve queima de fogos.

 

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