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Bom dia, Segunda Feira, 06 de Fevereiro de 2012, Seja bem vindo(a)
Santo do dia: São Paulo Miki e companheiros Mártires

A escolha dos Doze e a vontade de Jesus sobre a sua Igreja.

 

A Igreja foi constituída sobre o fundamento dos Apóstolos como comunidade de fé, de esperança e de caridade. Através dos Apóstolos, nós nos remontamos ao próprio Cristo e a relação com a sua Igreja e a tarefa que lhe foi confiada. Ela começou a construir-se quando pescadores da Galiléia se encontraram com Jesus e deixaram-se conquistar pelo seu olhar, pela sua voz, pelo seu convite caloroso e forte: "Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens" (Mc 1, 17; Mt 4, 19).


Hoje, mais de dois milênios após este episódio, é a luz Daquele rosto glorioso que se reflete sobre o rosto da Igreja, apesar dos limites e das sombras da nossa humanidade frágil e pecadora, a voz que chamou aqueles doze homens aparentemente tão limitados, hoje continua a nos chamar com a mesma confiança.


Temos que ter claro em nossa mente que, depois de Maria Santíssima, reflexo puro da luz de Cristo, são os Apóstolos, com a sua palavra e com o seu testemunho, que nos ensinam a verdade de Cristo. Contudo, a sua missão não está isolada, mas insere-se num contexto de comunhão, que envolve todo o Povo de Deus e realiza-se por etapas, da Antiga à Nova Aliança.


A mensagem de Jesus sempre será mal compreendida, se a separarmos do contexto da fé e da esperança do povo eleito. Um sinal evidente da intenção do Cristo de reunir a comunidade da Aliança, para manifestar nela o cumprimento das promessas feitas aos Pais, que falam sempre de convocação, de unificação, de unidade, é a instituição dos Doze.


Ele veio precisamente para convocar a humanidade dispersa, veio para reunir e unir o Povo de Deus. Assim como a de João Batista, também a pregação de Jesus é ao mesmo tempo, chamada de graça e sinal de contradição e de juízo para todo o Povo de Deus. Por conseguinte, desde o primeiro momento da sua atividade salvífica Jesus de Nazaré procura reunir o Povo de Deus.


Ao lermos com atenção o Evangelho sobre esta instituição dos Doze. Podemos destacar mais uma vez a parte central: "Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele. Estabeleceu doze para estarem com Ele e para enviá-los a pregar, com o poder de expulsar demônios. Estabeleceu estes doze..." (Mc 3, 13-16; ou Mt 10, 1-4; ou Lc 6, 12-16). No lugar da revelação, "o monte", Jesus com uma iniciativa que manifesta absoluta autoconsciência e determinação, constitui os Doze para que sejam com Ele testemunhas e anunciadores do acontecimento do Reino de Deus. Sobre a historicidade desta chamada não existem dúvidas, não só devido à antiguidade e à multiplicidade dos testemunhos, mas também pelo simples motivo que nela se encontra o nome de Judas, o apóstolo traidor, apesar das dificuldades que esta presença podia causar à comunidade nascente.


O número de doze, que evidentemente pode evocar ou remeter-nos às antigas doze tribos de Israel, já revela o significado de uma ação profético-simbólica que está implícito na iniciativa de fundar novamente o povo santo. Tendo terminado há tempo o sistema das doze tribos, a esperança de Israel estava depositada na sua reconstituição como sinal da vinda do tempo do chamado Reino Definitivo que o Messias deveria instaurar. Ao escolher os Doze, introduzindo-os numa comunhão de anúncio do Reino em palavras e ações, Jesus pretende dizer que chegou o tempo definitivo no qual se constitui sim um novo Povo de Deus, o povo das doze tribos, que agora se torna um povo universal, a sua Igreja, fundada sob o fundamento dos Apóstolos.


Com a sua própria existência os doze, chamados de realidades diferentes, tornam-se um apelo para Israel inteiro para que se converta e se deixe reunir na Nova Aliança que dará pleno e perfeito cumprimento da Antiga. Ter-lhes confiado na última Ceia, antes da sua Paixão, a tarefa de celebrar o seu memorial, mostra como se o Senhor quisesse transmitir a toda a comunidade na pessoa dos seus chefes o mandato de serem, na história, um sinal permanente e instrumento da reunião já aqui e agora no que se prefigura Reino definitivo, que foi com Ele iniciado. Num certo sentido, podemos dizer que precisamente a última Ceia é o ato da fundação da Igreja, porque Ele se oferece a si mesmo e cria desta forma uma nova comunidade, uma comunidade unida na comunhão com Ele, Nele e por Ele.


Sob esta luz, compreende-se como o Ressuscitado lhes confere com a efusão do Espírito o poder de perdoar os pecados (cf. Jo 20, 23). Os Apóstolos e seus sucessores legítimos são, desta forma, o sinal mais evidente da vontade de Jesus em relação à existência e à missão da sua Igreja, a garantia de que entre Cristo e a Igreja não existe contraposição alguma: são inseparáveis, não obstante os pecados dos homens que pertencem à Igreja.


Portanto, é totalmente inconciliável com a intenção de Cristo uma propaganda que estava na moda há alguns anos e que ainda tem reflexos sociais, sobretudo em momentos de confusão como os que temos vivido ultimamente na questão da origem e defesa da vida onde ouvimos: "Jesus sim, Igreja não". A escolha deste Jesus individualista é um Jesus fruto da fantasia. Não podemos ter Jesus sem a realidade que Ele criou e na qual se comunica. Entre o Filho de Deus feito homem e a sua Igreja, existe uma profunda, inseparável e misteriosa continuidade, em virtude da qual este nosso Cristo está presente ainda hoje no seu Povo. Ele é sempre nosso contemporâneo, na Igreja construída sobre o fundamento dos Apóstolos, está vivo na sua sucessão. E esta sua presença na comunidade, na qual Ele mesmo se oferece sempre a nós, é o motivo da nossa alegria.


Sim, o Cristo de Deus está conosco na Igreja, o Reino de Deus continua nos sendo comunicado e reproposto através do ministério de nossos pastores.

 

Sem. Julio Rodrigues Neves – Teologia - Equipe Diocesana da PASCOM.

 

 

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